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30 de novembro de 2012

O Relógio do Arremesso no Basquete

O Shot Clock



Os 24 segundos de posse de bola por ataque já são tradição no basquete, não só na liga norte-americana, mas também nas competições internacionais, administradas pela FIBA. Mas por que esse período de tempo em especial? Por que não 35 segundos, como no basquete universitário? Calma, para tudo se tem uma explicação.
Em 1954, o dono do Syracuse Nationals, Danny Biasone, finalmente conseguiu pôr em prática sua ideia de limitar o tempo de posse de bola por ataque, que defendia desde 1951. Entusiasta dos placares altos, Biasone achava que o tempo ilimitado de posse de bola impedia isso de acontecer.
Por exemplo: em 1950, o Fort Wayne Pistons derrotou o Minneapolis Lakers por incríveis 19×18, em que eles conseguiram de forma emocionante virar o jogo no último quarto, quando venceram por 3×1 – o Pistons fez 13 arremessos naquele jogo. Infelizmente, essa era uma prática comum na época, pois era melhor fazer com que o adversário não pontuasse segurando a bola do que correr atrás do placar.
Lógico que isso era muito chato. O público começou a cair e a NBA corria sério risco não completar nem uma década de existência porque o basquete era chato de assistir: imaginem vários Brian Scalabrines jogando contra um time de Brian Cardinals e nenhum deles se preocupasse em arremessar após o terceiro quarto para não dar a chance do outro time marcar. Obviamente que você não iria querer ver um jogo assim.
O que nos traz de volta a Biasone. Ele percebeu que os jogos que ele gostava de assistir – os que tinham muitos pontos – tinham em média 60 arremessos de cada equipe. Assim, dividiu os 2.880 segundos (48 minutos) que uma partida tem por 120 (o número de arremessos que dois times daria em um jogo bom) e pronto: 24 segundos de possa de bola por ataque, o shot clock.
Na temporada de 1954-55, quando sua ideia finalmente entrou em prática na NBA, houve um aumento de 13.1 pontos de média nos jogos – as equipes passaram a fazer 93 pontos por partida (o Boston Celtics foi a primeira franquia a ter mais de 100 pontos em média, graças ao seu armador, Bob Cousy), que rapidamente aumentaram para 107 pontos em apenas quatro anos.
“Eu acho que o shot clock salvou a NBA”, declarou Cousy posteriormente, no que foi corroborado pelo comissário da NBA da época, Maurice Podoloff, que disse que a adoção dos 24 segundos foi “o evento mais importante da NBA”. Dolph Schayes, astro do Syracuse Nationals, afirmou que no início, os jogadores pensavam em arremessar o mais rápido possível, por medo de estourar o tempo no relógio. Somente depois eles perceberam a genialidade dos 24 segundos, pois “podíamos trabalhar a bola antes de um bom arremesso”.
PS: A FIBA só adotou o shot clock da NBA em 2000, antes o relógio estourava com 30 segundos.
PS2: Biasone morreu há 20 anos, mas só foi indicado ao Hall da Fama em 2000 – postumamente, óbvio – por sua contribuição para a história do basquete.

Fonte: JumperBrasil

12 de outubro de 2012

Sistemas ofensivos no basquete - Introdução


Começamos hoje uma série especial de artigos sobre sistemas ofensivos do basquete.

Neste especial, trabalharemos as várias formas de táticas presentes no basquete, num primeiro momento as formas de ataque, e depois série sobre as defesas.


Começaremos com esta introdução, dividindo os sistemas ofensivos em espécies, trazendo um artigo para cada espécie nos próximos capítulos, detalhando dentro deles os diferentes sistemas ofensivos.

Pelo fato de o basquete ser esporte tradicionalmente americano, trabalharemos com o nome dos esquemas táticos em inglês, para facilitar o entrosamento de informações que vamos oferecer.

A seguir, a introdução sobre as "espécies" de esquemas táticos. A divisão mais tradicional na dogmática do basquete é entre "Patterned Offenses (ou Continuity Offenses)" e "Motion Offenses". Aqui, para efeito didático, trabalharemos com estas divisões e com sub-divisões. Dividiremos as Patterned Offenses em "Patterned", propriamente dita, e "Set Offenses", enquanto que com a Motion trabalharemos dividida em "Motion" e "Zone Offenses". Também examinaremos sistemas específicos, com sua própria complexidade, como o Triângulo Ofensivo utilizado por Phil Jackson e a Princeton Offense, largamente utilizada, além do sistema de "Run and Gun" de Don Nelson e o "7 seconds or less" de Mike D"Antoni.


Patterned Offenses: "Ataque com um padrão", na tradução literal. Significa um esquema tático em que os jogadores fazem uma série de movimentações, que podem incluir meras trocas de lugar, corta-luz, rotação ofensiva, troca de posições para explorar mismatches, enfim, várias movimentações.

Este tipo de sistema ofensivo não possui uma jogada definida para finalizar, busca apenas criar erros na defesa, para serem explorados pelos jogadores, que devem ter boa leitura do jogo. É importante notar que o padrão fica sendo repetido várias vezes. Quando acaba a movimentação e não existe opção de finalização, a movimentação-padrão deve ser repetido.

Aqui, estudaremos mais a fundo a Flex e a Shuffle, dois sistemas amplamente utilizados em todos os níveis.


Set Offenses: "Ataque configurado, posto", se traduzido livremente. Aqui, também existem movimentações a serem combinadas, mas permite pouca ou nenhuma mobilidade de posições. Cada jogador tem seu papel dentro do esquema ofensivo.


Também, comumente aqui a jogada tem um ponto de definição pré-arranjado, e se não é possível definir a jogada quando chega a hora, ela é abandonada e outra estratégia é adotada.

Motion Offense: A palavra "Motion", em inglês, significa movimento. E é exatamente isso que acontece. Ela também busca movimentação a todo instante para tentar quebrar a defesa, como no sistema Patterned. No entanto, ela não possui movimentações pré-estabelecidas.

Permite ao jogador explorar as opções que a defesa lhe dá, e fazer a leitura do que é melhor para fazer. Funciona sobre três princípios básicos: "Passe e corta-luz ao contrário", "Corta-luz no fundo" e "Corta-luz sem a bola".

É um sistema muito amplo, que pode inclusive ter uma Patterned ou uma Set dentro dela em alguns momentos. É, provavelmente, o sistema mais usado no mundo todo em todos os níveis de competição. Os três princípios serão explicados no momento de analisarmos este sistema em seu artigo próprio.

Zone Offense: Todos os esquemas analisados até aqui funcionam muito melhor contra defesas homem-a-homem. Esta aqui explora as fraquezas de uma defesa por zona.

As opções são poucas. Uma Zone Offense vai tentar, basicamente, tentar conseguir um arremesso em boa posição, visto que a Defesa por Zona deixa espaços para isso, ou então tentar quebrar a zona, movimentando vários jogadores para um só lado, isolando um jogador do outro, para tentar atrair a defesa e deixá-lo no homem-a-homem, ou então tentar uma situação de Pick And Roll, deixando dois jogadores isolados com os outros atuando como chamariz.

Estas são as espécies de sistema ofensivo que iremos tratar. Cada uma terá seu artigo próprio, além do Triângulo e da Princeton, que serão tratados apartados também. Este artigo de introdução será atualizado com o link para cada artigo novo, conforme forem sendo escritos.

4 de agosto de 2012

Primeira mulher a enterrar nos Jogos Olímpicos.



Aconteceu a primeira enterrada do basquete feminino na história das Olímpiadas. Anote o dia e o nome da autora. Ela se chama Elizabeth Cambage e conseguiu o feito na manhã desta sexta-feira, 03/08/2012, quando a sua Austrália vencia a Rússia por 39-33 com menos de quatro minutos jogados no terceiro período.
A pivô de 2,03m recebeu a bola na linha de três pontos, viu o garrafão vazio e encontrou, enfurecida, o aro . Levou a loucura o público que estava no ginásio e o banco australiano, que pulou sem parar com o feito da menina prodígio.



A norte-americana Candace Parker já havia dito a mim em 2008 que gostaria de ser a primeira mulher a enterrar em uma Olimpíada. Teve a chance de conseguir o feito em Pequim, quando Cambage tinha 17 anos e via os Jogos de casa, mas não concretizou e deixou a porta aberta para alguém conseguir marcar o nome na história em Londres.
E então por volta das 08:40 deste 3 de agosto de 2012 Elizabeth Cambage, que coincidentemente nasceu em Londres, entrou para a história. Momento sensacional do basquete feminino e para as Olimpíadas de 2012.
A Austrália venceu a Rússia por 70-66 (Cambage foi a cestinha com 17).
Os direitos autorais do UOL não deixa agente publicar o vídeo aqui. Então segue o link
Tem esse vídeo no YouTube mas não sei até quando vai ficar lá.


10 de julho de 2012

A História Oficial do Basquete - Parte 5

Quem foi James Naismith?

1861 - Nasceu em Almonte, a 60 quilômetros de Ottawa (Canadá), no dia 06 de novembro.

1875 - Ingressa no Almonte Institute.

1877 - Abandona os estudos por causa de dificuldades financeiras da família.

1881 - Ingressa na Universidade Mc Gill, em Montreal.

1883 - Forma-se em artes pela Universidade Mc Gill.

1884 - Casa-se com Maude Shermann, com quem teria cinco filhos (três meninas e dois meninos).

James Naismith, com o filho Jimmy.
1887 - Começa a estudar na Escola Presbiteriana de Teologia, onde consegue o título de pastor em 1890. Na mesma época, começa a trabalhar como instrutor de educação física na Universidade McGill. Momentaneamente renuncia a suas funções de pastor e ingressa na Associação Cristã de Moços, trabalhando como professor de educação física na International Coaching School, em Springfield.

1891 - Cria o basquete.

1898 - Naismith é convidado pela Universidade Lawrence, no Kansas, para ser diretor da Faculdade de Educação Física e se muda para lá com a família. Inicia a carreira de técnico de basquete.

1909 - Começa a lecionar medicina na Universidade do Kansas.

1910 - Consegue o diploma de professor de Educação Física.

1911 - Publica "A Escola Moderna", um livro sobre Educação Física.

1912 - Encerra sua carreira de técnico de basquete, com o retrospecto de 53 vitórias e 58 derrotas.

1914 - É designado Capitão do 1º Regimento de Infantaria de Kansas.

1915 - Permanece quatro meses no México em missão militar. É nomeado Ministro da Igreja Presbiteriana.

1917 - É designado Secretário da ACM e se muda para Paris, onde reside por 19 meses. Publica o livro "Les baises de la vie saine".

1919 - É nomeado diretor da Universidade do Kansas, cargo que ocuparia até 1937.

1927 - Obtém a cidadania norte-americana.

1936 - No dia 7 de agosto, inicia o primeiro jogo de basquete em Olimpíadas, nos Jogos Olímpicos de Berlim, entre França e Estônia.

1937 - É nomeado professor emérito da Universidade do Kansas. Morre sua esposa Maude.

1938 - É nomeado Doutor Honoris Causa da Escola de Teologia de Montreal.

1939 - Em 11 de novembro, casa-se com Florence Kincaid.

1940 - Em 28 de novembro, morre de ataque cardíaco, aos 79 anos.



Fonte: CBB

7 de maio de 2012

A História Oficial do Basquete - Parte 4

O basquete no Brasil
O Brasil foi um dos primeiros países a conhecer a novidade. Augusto Shaw, um norte-americano nascido na cidade de Clayville, região de Nova York, completou seus estudos na Universidade de Yale, onde em 1892 graduou-se como bacharel em artes e onde Shaw tomou contato pela primeira vez com o basquete.

Dois anos depois, recebeu um convite para lecionar no tradicional Mackenzie College, em São Paulo. Na bagagem, trouxe mais do que livros sobre história da arte. Havia também uma bola de basquete. Mas demorou um pouco até que o professor pudesse concretizar o desejo de ver o esporte criado por James Naismith adotado no Brasil. A nova modalidade foi apresentada e aprovada imediatamente pelas mulheres. Isso atrapalhou a difusão do basquete entre os rapazes, movidos pelo forte machismo da época. Para piorar, havia a forte concorrência do futebol, trazido em 1894 por Charles Miller, e que se tornou a grande coqueluche da época entre os homens.

Aos poucos o persistente Augusto Shaw foi convencendo seus alunos de que o basquete não era um jogo de mulheres. Quebrada a resistência, ele conseguiu montar a primeira equipe do Mackenzie College, ainda em 1896. Uma foto enviada ao Instituto Mackenzie nos Estados Unidos, mostra o que seria a primeira equipe organizada no Brasil, justamente por Shaw. Estão identificados Horácio Nogueira e Edgar de Barros (em cima), Pedro Saturnino, Augusto Marques Guerra, Theodoro Joyce, José Almeida e Mário Eppinghauss (em baixo).

Primeira equipe de basquete no Brasil, formada por Augusto Shaw no Colégio Mackenzie (SP), em 1896.

Shaw viveu no Brasil até 1914 e teve a chance de acompanhar a difusão do basquete no país. Faleceu em 1939, nos Estados Unidos.

A aceitação nacional do novo esporte veio através do Professor Oscar Thompson, na Escola Nacional de São Paulo e Henry J. Sims, então diretor de Educação Física da Associação Cristã de Moços (ACM), do Rio de Janeiro.

Em 1912, no ginásio da rua da Quitanda nº 47, no centro do Rio de Janeiro, aconteceram os primeiros torneios de basquete. Em 1913, quando da visita da seleção chilena de futebol a convite do América Futebol Clube, seus integrantes, membros da ACM de Santiago, passaram a freqüentar o ginásio da rua da Quitanda. Henry Sims, convenceu os dirigentes do América a introduzir o basquete no clube da rua Campos Salles, no bairro da Tijuca. Para animá-los, arranjou um jogo contra os chilenos oferecendo uma equipe da ACM, com o uniforme do América que triunfou pelo curioso score de 5 a 4. O plano vingou e o América foi o primeiro clube carioca a adotar o basquete.

As primeiras regras em português foram traduzidas em 1915. Nesse ano a ACM realizou o primeiro torneio da América do Sul, com a participação de seis equipes. O sucesso foi tão grande que a Liga Metropolitana de Sports Athléticos, responsável pelos esportes terrestres no Rio de Janeiro, resolveu adotar o basquete em 1916. O primeiro campeonato oficializado pela Liga foi em1919, com a vitória do Flamengo.

Em 1922 foi convocada pela primeira vez a seleção brasileira, quando da comemoração do Centenário do Brasil nos Jogos Latino-Americanos, um torneio continental, em dois turnos, entre as seleções do Brasil, Argentina e Uruguai. O Brasil sagrou-se campeão, sob a direção de Fred Brown. Em 1930, com a participação do Brasil, foi realizado em Montevidéu, o primeiro Campeonato Sul-Americano de Basquete.

Em 1933 houve uma cisão no esporte nacional, quando os clubes que adotaram o profissionalismo do futebol criaram entidades especializadas dos vários desportos. Nasceu assim a Federação Brasileira de Basketball, fundada a 25 de dezembro de 1933, no Rio de Janeiro. Em assembléia aprovada dia 26 de dezembro de 1941, passou ao nome atual, Confederação Brasileira de Basketball. 

Fonte: CBB

9 de abril de 2012

A História Oficial do Basquete - Parte 3

A Fundação da FIBA

Com o grande crescimento do basquete, o principal incentivo ao esporte foi dado pela Federação Internacional de Esportes Atléticos (IAAF), que era a entidade articuladora do movimento olímpico no início do século. A grande diferença das regras do basquete em relação às dos outros esportes dificultava sua convivência, dentro da mesma entidade, com outras modalidades essencialmente individuais, como o atletismo.
Em seu Congresso Anual, em Haya (1926), a IAAF resolveu criar uma comissão para estudar a possibilidade de integrar sob uma mesma administração o basquete e o handebol, embora em comissões separadas. Dois anos mais tarde, durante as Olimpíadas de Amsterdã, a própria IAAF convidou representações de vários países para estudar a formação de uma entidade exclusiva para os esportes com bola, mas ainda sob seu comando. Em 4 de agosto de 1928, foi fundada a Federação Internacional de Handebol Amador (IAHF), que congregava todos os esportes jogados apenas com as mãos. Foram formadas três sub-comissões: handebol indoor, handebol de quadra e basquete. A sub-comissão de basquete era de natureza puramente técnica, composta por dois franceses, um canadense e um americano, e foi a primeira entidade de basquete criada. Em 1929, foi criada a Liga de Basquete de Genebra (Suíça), logo depois transformada em Liga Suíça de Basquete, que utilizava as instalações da ACM em Genebra.
Surge então a figura de Renato William Jones, um inglês de impressionante formação, que se tornou um dos principais defensores do esporte. No verão de 1931, Jones encontra-se com o secretário da IAHF, German Hassler, no intuito de discutir a emancipação do basquete, não obtendo resultado. Em 18 de junho de 1932, Elmer Berry, diretor da Escola de Educação Física da ACM, convoca a primeira conferência internacional de basquete, contando com a presença do próprio Berry, de William Jones, e representantes da Argentina, Grécia, Itália, Letônia, Portugal, Romênia, Suíça e Tchecoslováquia, além de observadores da Hungria e Bulgária. Ao final da conferência, nascia a Federação Internacional de Basketball Amador (FIBA), presidida pelo suíço Leon Buffard e secretariada por William Jones.

Renato William Jones
Faltava, no entanto, o reconhecimento da IAHF. Os defensores da independência do basquete pretendiam algo mais: queriam transformar o esporte em modalidade olímpica oficial, não mais como demonstração, como ocorrera nos Jogos de Saint Louis, em 1904. Para isto, era necessária a independência total da FIBA e o seu reconhecimento pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Sem isto, o basquete jamais poderia figurar no programa olímpico. Mas havia outro problema: no grupo de fundadores da FIBA, não havia nenhum representante da França, pois os franceses ainda não havia estruturado sua Federação Nacional. Isto tirava um pouco do prestígio da FIBA, já que àquela época era muito comum a presença francesa em eventos de grande porte. Em 25 de junho de 1932, após tensas reuniões, os franceses resolvem criar sua Federação de basquete, desvinculando-o da Federação de Atletismo local e, em 1933, solicitam sua filiação à FIBA, sendo imediatamente aceitos.

A adesão francesa à FIBA solidificava a independência da entidade. Em agosto de 1934, Renato William Jones, mesmo sem ser oficialmente convidado, comparece ao Congresso Mundial da IAHF, e defende fervorosamente a independência do basquete. Até que, em 1º de setembro do mesmo ano, é assinado um protocolo que confere oficialmente a autonomia à FIBA, assinado por Tadeusz Kuchar e Karl Von Halt, pela IAHF, e William Jones e o Conde da San Marzano, pela FIBA. Em 19 de outubro, a Federação Argentina pede ao Comitê Organizador das Olimpíadas de Berlim (que seriam em 1936) a inclusão do basquete no programa da competição, mas isto só ocorreu depois que o COI reconheceu oficialmente a independência da FIBA, em 28 de fevereiro de 1935, durante sua 33ª Sessão, realizada em Oslo (Noruega). Iniciava-se a marcha olímpica do basquete. As mulheres, no entanto, só puderam participar a partir de 1976, nas Olimpíadas de Montreal, vencidas pelas soviéticas.

Desde sua fundação, a Federação Internacional de Basketball já teve três sedes, sendo Roma a primeira delas. Em 1940, mudou-se para Berna, na Suíça, para então, em 1956, estabelecer-se definitivamente em Munique, na Alemanha. Já teve oito presidentes, tendo sido dirigida inclusive pelo brasileiro Antônio dos Reis Carneiro, de 1960 a 1968. O atual presidente é o senegalês Abdoulaye Seye Moreau.

Em toda a trajetória do basquete ao longo deste século, nada foi mais determinante para a afirmação do esporte quanto o empenho e a dedicação do legendário Renato William Jones, que foi Secretário-geral da FIBA desde sua fundação até 1976, quando foi sucedido pelo iugoslavo Borislav Stankovic, que permanece até hoje no cargo.

Fonte: CBB 

8 de abril de 2012

A História Oficial do Basquete - Parte 2

As primeiras regras
1 - A bola pode ser arremessada em qualquer direção com uma ou com ambas as mãos;

2 - A bola pode ser tapeada para qualquer direção com uma ou com ambas as mãos (nunca usando os punhos);

3 - Um jogador não pode correr com a bola. O jogador deve arremessá-la do ponto onde pegá-la. Exceção será feita ao jogador que receba a bola quando estiver correndo a uma boa velocidade;

4 - A bola deve ser segura nas mãos ou entre as mãos. Os braços ou corpo não podem ser usados para tal propósito;

5 - Não será permitido sob hipótese alguma puxar, empurrar, segurar ou derrubar um adversário. A primeira infração desta regra contará como uma falta, a segunda desqualificará o jogador até que nova cesta seja convertida e, se houver intenção evidente de machucar o jogador pelo resto do jogo, não será permitida a substituição do infrator.

6 - Uma falta consiste em bater na bola com o punho ou numa violação das regras 3, 4 e 5.

7 - Se um dos lados fizer três faltas consecutivas, será marcado um ponto a mais para o adversário (Consecutivo significa sem que o adversário faça falta neste intervalo entre faltas).

8 - Um ponto é marcado quando a bola é arremessada ou tapeada para dentro da cesta e lá permanece, não sendo permitido que nenhum defensor toque na cesta. Se a bola estiver na borda e um adversário move a cesta, o ponto será marcado para o lado que arremessou.

9 - Quando a bola sai da quadra, deve ser jogada de volta à quadra pelo jogador que primeiro a tocou. Em caso de disputa, o fiscal deve jogá-la diretamente de volta à quadra. O arremesso da bola de volta à quadra é permitido do tempo máximo de 5 segundos. Se demorar mais do que isto, a bola passará para o adversário. Se algum dos lados insistir em retardar o jogo, o fiscal poderá marcar uma falta contra ele.

Primeiro livro de regras.



10 - O fiscal deve ser o juiz dos jogadores e deverá observar as faltas e avisar ao árbitro quando três faltas consecutivas forem marcadas. Ele deve ter o poder de desqualificar jogadores, de acordo com a regra 5.

11 - O árbitro deve ser o juiz da bola e deve decidir quando a bola está em jogo, a que lado pertence sua posse e deve controlar o tempo. Deve decidir quando um ponto foi marcado e controlar os pontos já marcados, além dos poderes normalmente utilizados por um árbitro.

12 - O tempo de jogo deve ser de dois meio-tempos de 15 minutos cada, com 5 minutos de descanso entre eles.

13 - A equipe que marcar mais pontos dentro deste tempo será declarada vencedora. Em caso de empate, o jogo pode, mediante acordo entre os capitães, ser continuado até que outro ponto seja marcado. 

Fonte: CBB 

7 de abril de 2012

A História Oficial do Basquete - Parte 1

Em 1891, o longo e rigoroso inverno de Massachussets tornava impossível a prática de esportes ao ar livre. As poucas opções de atividades físicas em locais fechados se restringiam a entediantes aulas de ginástica, que pouco estimulavam aos alunos. Foi então que Luther Halsey Gullick, diretor do Springfield College, colégio internacional da Associação Cristã de Moços (ACM), convocou o professor canadense James Naismith, de 30 anos, e confiou-lhe uma missão: pensar em algum tipo de jogo sem violência que estimulasse seus alunos durante o inverno, mas que pudesse também ser praticado no verão em áreas abertas.
Naismith com o time da Universidade de Kansas, onde foi técnico por muitos anos.
Depois de algumas reuniões com outros professores de educação física da região, James Naismith chegou a pensar em desistir da missão. Mas seu espírito empreendedor o impedia. Refletindo bastante, chegou à conclusão de que o jogo deveria ter um alvo fixo, com algum grau de dificuldade. Sem dúvida, deveria ser jogado com uma bola, maior que a de futebol, que quicasse com regularidade. Mas o jogo não poderia ser tão agressivo quanto o futebol americano, para evitar conflitos entre os alunos, e deveria ter um sentido coletivo. Havia um outro problema: se a bola fosse jogada com os pés, a possibilidade de choque ainda existiria. Naismith decidiu então que o jogo deveria ser jogado com as mãos, mas a bola não poderia ficar retida por muito tempo e nem ser batida com o punho fechado, para evitar socos acidentais nas disputas de lances.

A preocupação seguinte do professor era quanto ao alvo que deveria ser atingido pela bola. Imaginou primeiramente colocá-lo no chão, mas já havia outros esportes assim, como o hóquei e o futebol. A solução surgiu como um relâmpago: o alvo deveria ficar a 3,5m de altura, onde imaginava que nenhum jogador da defesa seria capaz de parar a bola que fosse arremessada para o alvo. Tamanha altura também dava um certo grau de dificuldade ao jogo, como Naismith desejava desde o início.

Mas qual seria o melhor local para fixar o alvo? Como ele seria? Encontrando o zelador do colégio, Naismith perguntou se ele não dispunha de duas caixas com abertura de cerca de 8 polegadas quadradas (45,72 cm). O zelador foi ao depósito e voltou trazendo dois velhos cestos de pêssego. Com um martelo e alguns pregos, Naismith prendeu os cestos na parte superior de duas pilastras, que ele pensava ter mais de 3,0m, uma em cada lado do ginásio. Mediu a altura. Exatos 3,05m, altura esta que permanece até hoje. Nascia a cesta de basquete.

James Naismith escreveu rapidamente as primeiras regras do esporte, contendo 13 itens. Elas estavam tão claras em sua cabeça que foram colocadas no papel em menos de uma hora. O criativo professor levou as regras para a aula, afixando-as num dos quadros de aviso do ginásio. Comunicou a seus alunos que tinha um novo jogo e se pôs a explicar as instruções e organizar as equipes.

Havia 18 alunos na aula. Naismith selecionou dois capitães (Eugene Libby e Duncan Patton) e pediu-lhes que escolhesse os lados da quadra e seus companheiros de equipe. Escolheu dois dos jogadores mais altos e jogou a bola para o alto. Era o início do primeiro jogo de basquete. Curioso, no entanto, é que nem Naismith nem seus alunos tomaram o cuidado de registrar esta data, de modo que não se pode afirmar com precisão em que dia o primeiro jogo de basquete foi realizado. Sabe-se apenas que foi em dezembro de 1891, pouco antes do Natal.

Como esperado, o primeiro jogo foi marcado por muitas faltas, que eram punidas colocando-se seu autor na linha lateral da quadra até que a próxima cesta fosse feita. Outra limitação dizia respeito à própria cesta: a cada vez que um arremesso era convertido, um jogador tinha que subir até a cesta para apanhar a bola. A solução encontrada, alguns meses depois, foi cortar a base do cesto, o que permitiria a rápida continuação do jogo.



Ginásio Armony Hill, local da primeira partida
oficial de basquete.
Após a aprovação da diretoria do Springfield College, a primeira partida oficial do esporte recém-criado foi realizada no ginásio Armory Hill, no dia 11 de março de 1892, em que os alunos venceram os professores pelo placar de 5 a 1, na presença de cerca de 200 pessoas.

A primeira bola de basquete foi feita pela A. C. Spalding & Brothers, de Chicopee Falls (Massachussets) ainda em 1891, e seu diâmetro era ligeiramente maior que o de uma bola de futebol.

As primeiras cestas sem fundo foram desenhadas por Lew Allen, de Connecticut, em 1892, e consistiam em cilindros de madeira com borda de metal. No ano seguinte, a Narraganset Machine & Co. teve a idéia de fazer um anel metálico com uma rede nele pendurada, que tinha o fundo amarrado com uma corda mas poderia ser aberta simplesmente puxando esta última. Logo depois, tal corda foi abolida e a bola passou a cair livremente após a conversão dos arremessos. Em 1895, as tabelas foram oficialmente introduzidas.

Naismith não poderia imaginar a extensão do sucesso alcançado pelo esporte que inventara. Seu momento de glória veio quando o basquete foi incluído nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, e ele lançou ao alto a bola que iniciou o primeiro jogo de basquete nas Olimpíadas.

Atualmente, o esporte é praticado por mais de 300 milhões de pessoas no mundo inteiro, nos mais de 170 países filiados à FIBA.


Fonte: CBB